Cirurgia endoscópica endonasal: tratando tumores da base do crânio pelo nariz, sem cortes

A cirurgia endoscópica endonasal, também chamada de transnasal, é uma técnica minimamente invasiva em que o neurocirurgião alcança tumores e lesões na base do crânio passando por dentro das narinas, através das cavidades nasais, com o auxílio de um endoscópio — um tubo fino equipado com câmera e luz de alta definição. Não há nenhuma incisão externa na pele, no rosto ou no couro cabeludo.

Quais condições essa técnica trata

A indicação mais comum são os tumores de hipófise (adenomas hipofisários), incluindo os que causam alterações hormonais, como prolactinoma, doença de Cushing e acromegalia, além dos adenomas que não produzem hormônio em excesso. A via endonasal também é usada no tratamento de craniofaringiomas, cistos da região selar, alguns meningiomas localizados na linha média, cordomas do clivo e no reparo de fístulas liquóricas — vazamentos do líquido que envolve o cérebro.

Nem toda lesão da base do crânio pode ser tratada por essa via: tumores muito lateralizados ou que envolvem estruturas vasculares complexas podem exigir uma abordagem aberta, combinada ou não com a técnica endonasal. Essa avaliação é feita individualmente, com base nos exames de imagem.

Como a cirurgia é feita

O procedimento costuma ser conduzido por uma equipe multidisciplinar, reunindo neurocirurgião e otorrinolaringologista — este último auxilia na passagem pelas cavidades nasais e no fechamento ao final da cirurgia. Em casos de tumores hipofisários, o acompanhamento de um endocrinologista também faz parte do cuidado, antes e depois do procedimento. Um sistema de neuronavegação guiado por imagem ajuda a equipe a localizar com precisão o trajeto até a lesão.

Vantagens em relação à cirurgia aberta

Por não exigir corte externo nem afastamento do tecido cerebral, a cirurgia endonasal costuma significar menos dor no pós-operatório, internação mais curta e retorno mais rápido às atividades do dia a dia, quando comparada às abordagens tradicionais por craniotomia. O endoscópio também permite ângulos de visão que o microscópio cirúrgico convencional não alcança, o que pode favorecer uma remoção mais completa da lesão em determinados casos.

Recuperação

É comum sentir congestão nasal e algum desconforto leve na primeira semana após a cirurgia. A alta hospitalar costuma ocorrer poucos dias depois do procedimento, com retorno a atividades leves em duas a quatro semanas e à rotina completa em geral entre seis e doze semanas — a cicatrização completa da mucosa nasal pode levar um pouco mais de tempo. O acompanhamento inclui exames de imagem e, nos casos de tumor hipofisário, dosagens hormonais periódicas.

Riscos

Como qualquer cirurgia, existem riscos, ainda que, com a técnica adequada, sejam bem controlados: vazamento de líquido cefalorraquidiano (que pode exigir reparo), sangramento, infecção e, mais raramente, lesão de estruturas próximas, como a artéria carótida ou os nervos ópticos, podendo afetar a visão. Em tumores maiores, a remoção pode ser parcial, exigindo tratamento complementar com radioterapia ou nova intervenção.

Quem é candidato

Pacientes com tumor ou lesão localizada na região central da base do crânio, identificados por ressonância magnética, são avaliados por equipe multidisciplinar para definir se a via endonasal é anatomicamente adequada ao caso.

Perguntas frequentes

Essa cirurgia deixa cicatriz? Não há cicatriz externa, já que todo o acesso é feito pelas narinas.

É uma cirurgia mais segura que a tradicional? Para as lesões em que é indicada, costuma trazer menos trauma cirúrgico e recuperação mais rápida — mas a segurança depende sempre da adequação da técnica ao caso específico, avaliada pela equipe médica.

Qualquer tumor da base do crânio pode ser operado por essa via? Não. A indicação depende da localização, do tamanho e das estruturas envolvidas, por isso a avaliação por imagem é essencial antes de definir a abordagem.

Preciso de acompanhamento com outros especialistas? Em tumores hipofisários, sim — o acompanhamento endocrinológico antes e depois da cirurgia é parte importante do tratamento.

Se você tem um diagnóstico de tumor na região da hipófise ou da base do crânio, converse com a equipe do SNN para entender se a cirurgia endoscópica endonasal é indicada para o seu caso.