Angioplastia de carótida: como o tratamento minimamente invasivo ajuda a prevenir o AVC

As artérias carótidas são os principais vasos que levam sangue ao cérebro. Quando se estreitam pelo acúmulo de placas de gordura em suas paredes — processo chamado de aterosclerose —, aumenta de forma significativa o risco de AVC: estima-se que até 20% dos AVCs isquêmicos tenham origem nesse estreitamento, conhecido como estenose de carótida.
Por que a estenose de carótida costuma passar despercebida
Na maioria dos casos, a estenose de carótida não causa sintoma algum por muito tempo, sendo descoberta em exames de rotina ou durante a investigação de outros problemas cardiovasculares. Muitos pacientes só descobrem o problema depois de um AIT — o chamado “mini-AVC”, em que os sintomas duram minutos ou poucas horas e desaparecem sozinhos, mas que funciona como um sinal de alerta importante: uma parcela relevante das pessoas que têm um AVC de origem carotídea já havia tido um AIT antes.
Os sinais de alerta incluem fraqueza súbita de um lado do corpo, dificuldade repentina para falar, perda parcial ou total da visão em um dos olhos e perda de coordenação motora fina. Vale destacar que tontura isolada, sem esses outros sinais, raramente está relacionada à estenose de carótida — por isso é importante não confundir os sintomas.
Diagnóstico
O exame inicial mais comum é o ultrassom Doppler das carótidas, simples e amplamente disponível, complementado, quando necessário, por angiotomografia ou angiorressonância para confirmar o grau de estreitamento. Pacientes que apresentaram sintomas de AIT ou AVC devem ser avaliados com urgência.
O que é a angioplastia de carótida
A angioplastia com colocação de stent é um procedimento minimamente invasivo, feito por cateter, sem necessidade de incisão no pescoço. O acesso costuma ser feito por uma artéria da virilha (ou, em alguns casos, do punho ou do pescoço), e o cateter é conduzido até a carótida sob orientação de imagem. Um balão é inflado para abrir o trecho estreitado da artéria, e em seguida um stent — uma espécie de malha metálica — é posicionado para manter o vaso aberto. Durante o procedimento, é comum o uso de um dispositivo de proteção, uma espécie de pequeno filtro que captura fragmentos de placa que possam se soltar, reduzindo o risco de que cheguem ao cérebro.
Angioplastia x endarterectomia
A alternativa cirúrgica tradicional é a endarterectomia de carótida, uma cirurgia aberta em que o cirurgião acessa a artéria pelo pescoço e remove diretamente a placa que está causando o estreitamento. É uma técnica consolidada, com décadas de resultados acompanhados, e segue sendo a primeira escolha em diversos cenários. A angioplastia com stent costuma ser considerada principalmente quando a cirurgia aberta representa um risco maior para o paciente — por dificuldades anatômicas, radioterapia prévia na região do pescoço, ou outras condições de saúde que aumentem o risco cirúrgico, como doenças cardíacas ou pulmonares importantes. Entre as vantagens da angioplastia estão a ausência de corte no pescoço, a possibilidade de anestesia local, internação mais curta e recuperação mais rápida. A escolha entre as duas técnicas é sempre individualizada, considerando o grau de estenose, a anatomia do paciente e o risco cirúrgico geral.
Quem é candidato
A indicação de tratamento leva em conta se o paciente já teve sintomas (AIT ou AVC) ou não, o grau de estreitamento da artéria, a expectativa de vida e o risco cirúrgico individual. Em estenoses leves ou em pacientes de risco cirúrgico muito alto sem sintomas, o tratamento pode ser apenas clínico, com controle de colesterol, pressão arterial, uso de antiagregantes e, fundamentalmente, a interrupção do tabagismo.
Recuperação
A recuperação após a angioplastia costuma ser rápida, com internação curta e retorno às atividades normais em poucos dias — geralmente mais ágil do que após a cirurgia aberta.
Riscos
Os principais riscos incluem AVC durante o procedimento, relacionado ao deslocamento de fragmentos de placa, complicações no local de acesso do cateter e, mais raramente, reestreitamento da artéria ao longo do tempo. Por isso, a indicação e a realização do procedimento devem ser feitas por equipe especializada.
Perguntas frequentes
A estenose de carótida sempre precisa de cirurgia ou angioplastia? Não. Em casos leves, ou em pacientes assintomáticos de alto risco cirúrgico, o acompanhamento clínico pode ser suficiente.
A angioplastia de carótida é mais segura que a cirurgia aberta? Depende do caso. As duas técnicas têm resultados comparáveis na prevenção do AVC a longo prazo, mas cada uma tem um perfil de risco diferente — por isso a escolha é sempre individualizada.
Quais sintomas não devo ignorar? Fraqueza súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar e perda de visão em um olho são sinais que pedem atendimento médico imediato, mesmo que desapareçam sozinhos em minutos.
Depois do tratamento, o risco de AVC acaba? O tratamento reduz bastante o risco relacionado à carótida, mas o controle de fatores como pressão arterial, colesterol e tabagismo continua sendo essencial para a prevenção.
Se você tem fatores de risco para doença cardiovascular ou já apresentou sinais de AIT, procure a equipe do SNN para avaliar a saúde das suas artérias carótidas.
